O Baile de Primavera

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Tim é um garoto independente e sonhador, quer percorrer o mundo como viajante e viver todas as aventuras possível. Nasceu em São Paulo, Brasil, e aos 16 anos saiu de casa para fazer intercâmbio na Inglaterra, precisamente em Manchester. Tim está quase completando 18 anos e já viveu várias aventuras nas terras da rainha.

Era quase final de março quando resolveu convidar Laurence para ser seu par no Baile de Primavera do colégio, que aconteceria no final de abril, porém o que ele não sabia era que teria que enfrentar alguns medos para conquistar a garota que lhe roubava o ar. Laurence era, como diziam todos os professores, um problema sem solução.

A melhor qualidade de Laurence, para Tim, era sua atitude. Uma garota de 18 anos, seu estilo era uma mistura de rocker undergound com punk, andava de skate e tinha tatuagens espalhadas pelo corpo, pertencia a uma família tradicional britânica e era o desgosto dos pais. Tim via um pouco dele mesmo nela, e isso a fazia ser mais especial pra ele do que ele jamais pensara.

Juntou toda a coragem que conseguiu para convidá-la pro grande baile. Ele precisava impressionar a garota de poucos amigos, que andava sempre com seu grupinho de rockers, grunges, punks e góticos. Comprou um shape de long, grafitou a base do shape com um convite pro baile e levou pro colégio, causou um pequeno tumulto quando entrou nos corredores com o longboard. Parou em frente à Laurence e entregou o shape pra ela e saiu andando, como se fosse apenas um entregador.

Laurence ficou revoltada com o garoto com que nunca falara e achou que era alguma piada de mal gosto, mas quando viu o convite grafitado na base do shape, olhou na direção que Tim seguiu e o encontrou. Ele estava em pé, encostado numa pilastra e ficou sem reação quando ela foi andando calmamente até ele.

  • Quem você pensa que é, garoto?
  • Uhm … é … bem … ah, esquece. Tim saiu da pilastra e quando começou a andar, sentiu o toque rápido de Laurence no seu braço direito.
  • Se você acha que vou pra essa merda de baile com você, está completamente enganado. Disse sem muita emoção na voz e ficou encarando Tim nos olhos.
  • O.K. Disse pausadamente com ar de deboche, e começou a andar. Até ouvir Laurence falando um pouco mais alto:
  • Agora se o convite fosse pra estreiar esse long comigo no final de semana, eu aceito. Disse isso e saiu andando, se misturando entre as pessoas que estavam paradas prestando atenção na conversa dos dois.

O final das aulas chegou e Tim foi o primeiro a sair da sala e correu para o lado de fora do colégio, acendeu um beck perto do seu carro e ficou olhando as pessoas saírem. Uma voz familiar atrás dele, o fez virar num salto e soltar o cigarro.

  • E aí garoto? Algum plano pra hoje? Laurence estava atrás dele com mais 3 garotos do seu grupinho.

Tim ficou sem reação com a trupe atrás dele. Tudo passou pela sua cabeça, desde que poderia ser morto, até a remota possibilidade de serem amigos. Pegou o beck no chão, colocou de volta na boca e disse:

  • Partiu testar esse long?

Laurence sentou na frente e os garotos no banco de trás. Tim ligou o carro e seguiu as coordenadas de Laurence. Pararam em frente a um parque desativado, pularam as grades e começaram a andar de skate. Deixaram o carro estacionado algumas ruas antes para caso precisassem fugir, ninguém saberia que estavam de carro.

Ficaram andando pelo parque até a noite, bebendo, fumando, pixando os muros e brinquedos, até que ouviram as sirenes e viram algumas lanternas procurando os arruaceiros que estavam destruindo o parque em ruínas. Todos se olharam e partiram em direções diferentes, Tim seguiu Laurence, saíram pela lateral do parque, longe das sirenes e o lado oposto de onde haviam estacionado o carro. Laurence indicou o caminho para um bosque que tinha lá perto e disse que poderiam esperar ali até a polícia desistir.

Sozinhos por entre as árvores, Laurence e Tim começaram a conversar sobre a vida e começaram a se aproximar, até que rolou um beijo. Laurence se afastou de Tim, lhe deu um tapa na cara e o empurrou pro chão, sentou em cima dele e começou a beijá-lo enlouquecidamente, a mão de Tim percorria todo seu corpo, começou a levantar sua blusa até que foram interrompidos por três policiais.

Poucos minutos depois, os dois estavam na delegacia para prestar esclarecimentos ao delegado de plantão. Eram acusados de arruaça e atentado ao pudor, mas ninguém tinha provas, apenas os policiais que os pegaram se beijando no bosque. Laurence foi a primeira a falar.

  • O senhor não tem direito de nos trazer à delegacia por estarmos apenas nos beijando, enquanto voltávamos pra casa. Meus pais estão loucos atrás de mim a essa hora.

Antes que o delegado pudesse dizer algo, o celular de Laurence começou a tocar e ela atendeu e colocou no viva-voz. O delegado estava prestes a protestar e tirar o celular da mão da garota, quando uma voz de mulher começou a gritar:

  • Laurence Even onde é que você está? Já passou da hora de estar em casa! Estou desesperada, você me disse que seu namorado estava a trazendo e era para vocês terem chegado há pelo menos 20 minutos. A voz era de uma mulher extremamente irritada.
  • Mãe, fica calma. Estávamos indo pra casa, pelo bosque, quando três policiais nos prenderam alegando que estávamos fazendo arruaça. Agora estamos sentados na sala do delegado esperando a boa vontade dele para nos soltar, sem provas para as acusações. Laurence falava como se tivesse ensaiado todo aquele discurso, olhando diretamente nos olhos do delegado como se o desafiasse a protestar.
  • Chame o delegado que eu quero falar com ele. A voz continuava gritando.
  • Olá senhora Even. Respondeu o delegado com receio.
  • O senhor é o responsável pelas acusações à minha filha e seu namorado? O senhor não tem vergonha de prender dois jovens estudantes? Só porque eles usam piercings e tatuagens e falam as gírias dos jovens? Isso é alguma espécie de preconceito, senhor delegado?
  • Senhora, se acalme, trouxemos os dois apenas para que prestassem esclarecimentos. Disse tentando acalmar a mulher do outro lado do telefone.
  • ESCLARECIMENTOS? Gritava a mulher. – O senhor não pode estar falando sério, isso os teus homens deveria ter feito quando o encontraram no caminho para casa. Eu mandei Laurence ir para a casa da irmã mais velha, Kristen, até que eu chegasse em casa. Agora estou indo para a casa de Kristen e espero que os dois sejam levados até lá, antes que eu abra uma reclamação formal contra o senhor e seus homens.
  • Senhora, isso não será preciso. Apenas me diga o endereço que eu mesmo levarei os dois até a casa de sua filha. O delegado estava nervoso e enquanto falava, procurava alguns papéis em sua mesa.

A ligação foi encerrada sem nenhuma cordialidade. O delegado olhava para os dois como se procurasse algum sinal de mentira, mas Laurence se manteve fria e sustentou o olhar do delegado. Tim estava nervoso, mas ao ouvir a mãe de Laurence gritar no telefone e o chamar de namorado da filha, lhe deixou em estado de êxtase, e não conseguia esconder o alívio de não ser preso.

O delegado levou os dois até a casa da Miss Even, Kristen. Uma mulher elegante, vestida com jeans e uma regata branca, um sobretudo de voil branco lhe cobria os ombros, o cabelo loiro estava preso num coque desleixado. A casa traduzia um pouco da dona, um casarão do século 19, fachada em cor clara, janelas altas e jardins impecáveis e cheios de flores. Todos perceberam quando o delegado parou para apreciar a beleza da jovem.

Kristen foi correndo abraçar Laurence e a beijou na testa, colocou a irmã atrás de si e puxou o Tim para trás também, como se protegesse os dois do oficial que estava a frente. Com a voz doce e aveludada, Kristen disse que a senhora Even já havia ligado e contado toda a história e agradeceu ao oficial, sem deixar que ele dissesse algo, ela emendou um agradecimento e disse que informaria à senhora Even que o delegado havia sido muito cortês e estava completamente preocupado com a segurança dos jovens e que os levou para protegê-los dos tais arruaceiros. O delegado ficou perdido entre tantas coisas que ouvi e com a beleza estonteante de Kristen.

Antes que ele pudesse pensar em algo para falar, ela empurrou delicadamente os dois para dentro de casa, fechou a porta e suspirou aliviada. Olhou pela janela da porta e viu que o delegado continuava parado no mesmo lugar. Fiz sinal para os dois ficarem quietos e esperar o delegado ir embora. Assim que ele entrou no carro e partiu, os três suspiraram aliviados e começaram a rir. Tim não entendia ao certo o que acontecia, mas sorriu de alívio, Kristen começou a fazer cócegas na irmã e a chamar de “delinquentizinha juvenil predileta”.

As duas perceberam que o Tim não compreendia nada e foi Kristen quem falou primeiro:

  • Você não entendeu nada, né? Sou a irmã mais velha dessa desmiolada. Disse enquanto dava um tapa de leve na cabeça da irmã. – Lau me mandou mensagem explicando a situação e disse para eu ligar em 10 minutos e fingir ser a nossa mãe. Digamos que por eu ser a filha mais velha, me especializei em algumas coisas, como imitar minha mãe e as assinaturas do meu pai.
  • E eu abuso dessa ajuda sempre que preciso. Disse Laurence enquanto ia pra cozinha pegar algo para comerem.
  • Tá, pera! Você se passou pela sua mãe, isso é loucura, e se o delegado descobrisse ou pedisse para que fosse até a delegacia? Tim estava confuso e nervoso, nunca antes havia entrado numa delegacia.
  • Bem … provavelmente minha mãe diria que nunca entraria numa delegacia, que isso seria muita humilhação para ela. Aí eu diria que mandaria a filha mais velha, no caso eu, ir até a delegacia para resolver a situação.
  • E porque o delegado ficou tão preocupado quando ouviu o nome da sua mãe?
  • Você não é daqui, é?
  • Não, estou aqui em Manchester há quase 4 meses, antes estava em Londres. Fazendo intercâmbio.
  • Ah, então é por isso que você não conhece minha mãe. Ela é uma das socialites mais influentes da cidade, e uma das mais chatas também. Nunca teve tempo para nada, nem pra mim e nem pra Lau. Me virei sozinha e quando a Lau nasceu, me tornei mãe-irmã mais velha.
  • Sinto muito. Tim não sabia o que dizer, e isso foi o que conseguiu pensar.
  • Não sinta nada, estamos melhor sem aquela vaca! Laurence gritou da cozinha, e veio logo depois com um pote de guacamole que Kristen havia preparado e tortillas.

Os três se sentaram na sala e Tim começou a contar sua história. Naquela noite, conquistou o coração de Laurence e o apreço de Kristen. Acabou sendo convidado para a festa que Kristen daria no dia do Baile de Primavera, e foi nesse momento que o Tim entendeu o porquê Laurence disse que não iria com ele no Baile. Os dois acabaram dormindo juntos, em um dos quartos de hóspedes de Kristen e foram juntos no dia seguinte pegar o carro e ir pro colégio, pra mais um dia de excentricidades.

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